segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Falar do poema

Antes de tudo, não falar. O poema tem todas as palavras necessárias para que não seja preciso dizer mais nada partir dele. Depois, falar devagar. Falar da sua construção. Procurar a origem do poema por dentro do que ele nos diz. Falar com o poema. Falar de cada palavra, de cada verso. Encontrar através deles os fios de uma lógica que não passa apenas pelo sentido ou pelo que é dito, mas sobretudo pelo que só a percepção instintiva, sensorial, pode captar, no que está para além do que é dito e se solta das próprias palavras. Ouvir o poema para poder falar dele. Ignorar todos os discursos sobre o poema e sobre a poesia. Esse lixo verbal só nos impede de ouvir o que o poema tem para dizer. Depois de falar do poema, e só depois, procurar saber o que outros disseram - pura curiosidade. Procurar, como um suplemento de curiosidade, o que os próprios poetas disseram do poema e da poesia. Se tivermos sabido, com essa leitura, alguma coisa para além do que o poema nos disse, desconfiemos do poema. Um poema, quando o é, diz tudo o que há para saber sobre si.

Reclamam sem nada fazer

Pessoas!

Porque reclamam as suas caminhadas

Talvez por serem inadequadas,

Ou apenas diferentes

Como as tinham planeado.

 

Nada faz sentido

E todos reclamam da vida,

Mas na verdade sem ela

Todos se sentem despidos.

 

Rezam pela ajuda do senhor

Para o mundo mudar,

Mas na realidade só muda

Se compuserem ao suor.

Na hora da morte

Enquanto criança, pesava no mundo

Presentemente no presente penso no futuro,

No mesmo futuro pesarem no passado

Agora na morte, estarei certamente mudo.

 

Nessa mesma morte, fugirem

Do destino traçado,

Mas sei! Que se escapar

Hora não terem.

 

Medo? Todos possuem

E, eu? Não sou ninguém,

Apenas uma alma

Igual a alguém.

Regras

Nesta casa bem longa

Que se torna bem curta,

Quando alguém entra

E que tem de cumprir

As regras que são ditas,

Pela aqueles que as escrevem

Não usado tinta.  

 

Regras não desejadas

Mas obrigados a aderir,

Por eles dadas

E por nos seguidas.